Educação, trabalho e juventude: uma articulação necessária

Os jovens precisam conciliar estudo e trabalho. A formação profissional de nível médio é insuficiente e pouco sintonizada com o novo mundo do trabalho. Os currículos privilegiam a cultura acadêmica. Os jovens estão cada vez mais desinteressados pela escola. As “culturas juvenis” geram novas conflitividades no espaço escolar. Estes são alguns dos traços comuns da situação dos jovens em países como Brasil, Chile e Argentina*.

No Brasil, a situação geral da educação de nível médio é de altos índices de abandono e reprovação e de distorção idade-série. Em 2006, apenas 47,7% dos jovens brasileiros que deveriam estar no Ensino Médio estavam cursando este nível de ensino.

Um dos aspectos centrais para os países, mas com especial relevância no caso brasileiro, é a condição trabalhadora daqueles que cursam, ou deveriam cursar o Ensino Médio. Dados da PNAD 2006 mostram que 66% dos jovens brasileiros entre 14 e 29 anos estão trabalhando ou procurando trabalho, e destes, a maior parte não está estudando (41,3%). Cerca de 15,4% dos jovens conciliam estudo e trabalho.

Os que apenas estudam somam 21% e os que não estudam nem trabalham totalizam 13% desta população. A centralidade do trabalho na vida dos jovens brasileiros é evidente.

A conciliação de escola e trabalho foi uma marca importante da ampliação do Ensino Médio no Brasil, o que atribuiu um lugar central ao ensino noturno na história da democratização da educação em nosso país. Em 1995, 66% de todas as matrículas do Ensino Médio concentravam-se nos cursos noturnos. Em 2005, dez anos depois, eram apenas 49%.

Ao lado da brusca diminuição dos cursos noturnos, houve a migração (voluntária ou induzida pelos sistemas de ensino) dos jovens para a Educação de Jovens e Adultos de nível médio. Em 2006, os jovens entre 15 e 29 anos representavam 66% do total de matrículas na EJA Ensino Médio, com uma concentração significativa na faixa etária entre 18 a 24 anos, ou seja, na faixa intermediária e não na faixa superior (25 a 29 anos), o que revela um processo de rejuvenescimento da EJA de nível médio.

Ao mesmo tempo, nem no Ensino Médio, nem na EJA, tampouco nos cursos noturnos, existem propostas curriculares que articulem educação e trabalho apesar de, como vimos, este último estar presente de forma crucial na vida dos jovens brasileiros.

Atualmente, há políticas federais e estaduais de ampliação da educação profissional de nível médio, que são bem-vindas diante da sua baixíssima expressividade nos sistemas de ensino em termos de matrículas, mas esta ampliação não necessariamente vem revestida de um esforço de articulação.

Diante da baixa atratividade que a escola parece ter entre os jovens, a articulação entre educação e trabalho pode ser um dos nós mais importantes a serem desatados pelas políticas de educação.

Mais do que apenas formar jovens para o mercado, a educação tem muito a contribuir na construção de estratégias de inserção produtiva, na reflexão sobre o mundo do trabalho, no delineamento de projetos de vida que incluem a projeção de uma carreira e também a continuidade dos estudos.

Uma educação que permita que os sujeitos jovens ampliem seu mundo simbólico e vivencial e que contribua para que enfrentem os desafios que a vida lhes coloca. E sem dúvida, inserir-se no mundo do trabalho é um dos mais importantes nesta fase da vida.

* Em 2008, um seminário sobre Ensino Médio reuniu em Buenos Aires experiências do Brasil, Chile e Argentina, que concluíram: estão insatisfeitos com sua educação secundária.

Autor: Ação Educativa


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